EUA ‘Inaugurou nova espiral de escalada’ no Oriente Médio

EUA ‘Inaugurou nova espiral de escalada’ no Oriente Médio


Os EUA afirmam que instalações nucleares iranianas foram destruídas em operação coordenada com Israel. Contudo, ainda permanecem dúvidas sobre o impacto total da ação. Imagens de satélite revelam perfurações que indicam possíveis pontos onde bombas americanas atingiram a instalação de Fordow, no Irã.

A Rússia condenou nesta segunda-feira (23) o ataque dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã, ocorrido no sábado. A ação envolveu ataques simultâneos contra três locais: Fordow, Natanz e Isfahan. Coordenada com Israel, a operação utilizou 125 aeronaves militares, mísseis de alta precisão, um submarino e bombas especiais projetadas para destruir estruturas subterrâneas.

▶️ Contexto: Desde o dia 13, Israel e Irã intensificam ataques mútuos. As Forças de Defesa de Israel anunciaram uma operação para eliminar alvos nucleares iranianos, enquanto Teerã retaliou com lançamento de mísseis contra cidades como Tel Aviv, Haifa e Jerusalém.

O presidente americano, Donald Trump, classificou a operação como “bem-sucedida”. A Casa Branca avalia que as três instalações nucleares sofreram “danos e destruição extremamente severos”.

O general Dan Caine, porta-voz responsável por divulgar informações sobre os ataques, declarou que levará tempo para avaliar completamente os danos, mas uma análise preliminar indica que Fordow, Natanz e Isfahan foram gravemente afetadas.

Stu Ray, analista da McKenzie Intelligence Services, explicou à BBC que as bombas utilizadas não explodem na superfície, mas em profundidade, o que explica a ausência de grandes crateras visíveis. A coloração cinza observada no solo provavelmente é resultado de detritos de concreto lançados pelas explosões.
Ray também apontou que as entradas dos túneis parecem ter sido bloqueadas, possivelmente numa tentativa iraniana de proteger os acessos de bombardeios diretos, já que não há marcas aparentes próximas às entradas.

A Organização Iraniana de Energia Atômica classificou o bombardeio como uma “violação bárbara” do direito internacional.

Hassan Abedini, vice-diretor político da emissora estatal iraniana, afirmou que o Irã “não sofreu um grande golpe porque os materiais já haviam sido removidos” das instalações.

Não foram divulgados números específicos de vítimas relacionadas aos ataques dos EUA. Em entrevista coletiva, o secretário americano de Defesa, Pete Hegseth, ressaltou que a missão “não tinha como alvo tropas iranianas ou civis”.

Hassan Abedini também declarou que as três instalações haviam sido evacuadas “há algum tempo”.

Desde o dia 13, o conflito entre Irã e Israel já causou mais de 240 mortos e milhares de feridos em ambos os países, segundo dados oficiais. Fontes independentes estimam que o número de mortes possa chegar a 500.

Há risco de vazamento de radiação?
A Arábia Saudita e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização nuclear da ONU, informaram que não houve aumento nos níveis de radiação após os ataques.

A AIEA afirmou que “fornecerá avaliações adicionais sobre a situação no Irã à medida que novas informações forem obtidas”.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que os EUA “devem receber uma resposta por sua agressão”. “Sempre afirmamos que estamos prontos para negociar dentro do marco do direito internacional, mas, em vez de aceitar o diálogo, o outro lado exigiu a rendição da nação iraniana”, afirmou em comunicado.

Analistas indicam três possíveis estratégias para o Irã:
Revidar com força e rapidez: A troca de mísseis entre Irã e Israel já dura dez dias, mas retaliar contra os EUA elevaria o conflito a um novo patamar de risco — para o Irã e para toda a região. Estima-se que o Irã ainda possua cerca de metade do seu estoque inicial de aproximadamente 3.000 mísseis, tendo usado e perdido o restante nos confrontos com Israel.

Revidar posteriormente: Essa alternativa consiste em aguardar a redução da tensão atual e realizar um ataque surpresa em momento oportuno, quando as bases americanas estiverem menos alertas. O ataque poderia visar missões diplomáticas, consulares ou comerciais dos EUA, ou até mesmo envolver assassinatos seletivos.

Não retaliar: Essa postura exigiria grande contenção por parte do Irã, evitando novos ataques americanos. O país poderia inclusive buscar uma solução diplomática e retomar negociações com os EUA — embora o chanceler iraniano tenha afirmado que o Irã nunca abandonou as negociações, atribuindo a Israel e aos EUA a responsabilidade pelo rompimento.

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