Hospitais privados poderão prestar atendimento ao SUS

Hospitais privados poderão prestar atendimento ao SUS

O governo federal anunciou um novo mecanismo para que hospitais privados e filantrópicos possam abater dívidas tributárias com a União em troca de atendimento especializado para o Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, unidades de saúde privadas sem débitos também poderão participar, obtendo créditos tributários que poderão ser descontados em impostos.ebc Hospitais privados poderão prestar atendimento ao SUS

A iniciativa, anunciada pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda), tem como principal objetivo reduzir a fila de espera para consultas, exames e cirurgias. Essa ação faz parte do programa Agora Tem Especialistas, relançado pelo governo no mês passado.

Os primeiros atendimentos nesse formato estão previstos para começar a partir de agosto. As áreas prioritárias definidas pelo governo são: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia, abrangendo cerca de 1,3 mil tipos diferentes de cirurgias.

As instituições interessadas devem realizar a adesão no Ministério da Fazenda, por meio do programa de transação tributária. O Ministério da Saúde será responsável por aprovar a oferta, a demanda e a distribuição dos atendimentos, além de monitorar, avaliar a execução dos serviços e conceder o certificado para obtenção do crédito tributário. O teto para abatimento de dívidas foi estimado em até R$ 2 bilhões por ano, enquanto o crédito tributário para descontos em impostos ficará limitado a R$ 750 milhões. A nova estratégia será formalizada por meio de uma portaria conjunta dos ministérios da Fazenda e da Saúde, que será publicada no Diário Oficial da União (DOU).

“Quando idealizamos esse mecanismo, que começa hoje, muitas pessoas lembram do Prouni [bolsas em faculdades privadas], por ser uma forma de aproveitar a estrutura privada, dívidas que não são pagas e que a União não consegue recuperar e, nesse caso, transformar essas dívidas em consultas, exames, cirurgias e cuidados de saúde para a população“, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Será disponibilizado um painel com dados unificados para monitoramento dos atendimentos realizados pelo programa, integrando informações das redes privada, estadual, municipal e filantrópica. Todas as instituições e entes que aderirem ao programa deverão alimentar esse sistema.

Segundo o ministro Fernando Haddad, o programa é uma combinação de diversos instrumentos de gestão pública, com o objetivo de sanear instituições históricas e centenárias de saúde que enfrentam problemas de endividamento.

“Estamos falando de 3.537 instituições nessa situação. São entidades que prestam serviços médicos e acumulam R$ 34,1 bilhões em dívidas inscritas, um valor muito significativo de recursos que nem sempre é possível cobrar”, destacou o ministro da Fazenda.

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