MPs de SC e RJ rastrearão crimes com criptomoedas

MPs de SC e RJ rastrearão crimes com criptomoedas

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) firmaram, em 8 de agosto de 2025, um acordo com uma empresa norte-americana especializada em rastreamento de transações em blockchain. A parceria inclui a cessão temporária da ferramenta Reactor, além de suporte técnico e treinamentos para utilização nas investigações.

A ferramenta Reactor será empregada para o rastreamento on-chain de transações financeiras, possibilitando a identificação de movimentações ilegais, como golpes com criptomoedas, lavagem de dinheiro e outras operações que utilizam a blockchain para dificultar a localização da origem dos recursos. O sistema utiliza inteligência de dados para mapear transações e conectar suspeitos.

No MPSC, a operação da ferramenta ficará a cargo do CyberGAECO, enquanto no MPRJ será utilizada pela Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2). A expectativa é ampliar o uso da tecnologia para investigações relacionadas a pornografia infantil, tráfico de drogas, estelionatos digitais e crimes cibernéticos de menor potencial ofensivo.

De acordo com Vanessa Wendhausen Cavallazzi, procuradora-geral de Justiça do MPSC, essa iniciativa representa um avanço significativo no combate ao crime digital, com foco no bloqueio de recursos de organizações criminosas. O procurador-geral do MPRJ, Antonio José Campos Moreira, ressaltou que Santa Catarina e Rio de Janeiro serão os primeiros Ministérios Públicos do país a utilizar essa ferramenta, considerada a mais avançada mundialmente para investigações envolvendo criptoativos.

Blockchain

Blockchain é uma tecnologia que funciona como um registro digital descentralizado, utilizado para armazenar informações de maneira segura, transparente e praticamente imutável sem o consenso da rede.

De forma simplificada, trata-se de um “livro-caixa” compartilhado por diversos computadores conectados, onde cada página (ou bloco) contém um conjunto de transações. Esses blocos são encadeados em ordem cronológica, formando uma “cadeia de blocos” (do inglês, block + chain).

A tecnologia foi apresentada em 2008 no artigo de Satoshi Nakamoto (pseudônimo do criador ou criadores do Bitcoin) como base para a primeira criptomoeda. Desde então, o blockchain passou a ser aplicado em diversas áreas além das moedas digitais, como contratos inteligentes (smart contracts), rastreamento logístico e segurança de dados.

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