Café catarinense

Café catarinense

O Café na Bandeira de Santa Catarina e seu Novo Papel na Economia Rural

O café faz parte da bandeira de Santa Catarina desde 1895. Muito antes de ser tema de degustações, notas sensoriais e métodos de preparo, o grão já tinha um papel simbólico na história do Estado. Hoje, a proposta é resgatar essa importância e colocar o café no centro da economia rural catarinense.

Projeto Café Sombreado Catarinense: Uma Nova Iniciativa

A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) lançou o Projeto Café Sombreado Catarinense, com início das operações previsto para março de 2024. Essa ação faz parte do Programa de Financiamento ao Desenvolvimento Rural, Pesqueiro e Aquícola de Santa Catarina (Financia Agro SC) e foca em um setor em crescimento no Brasil: o mercado de cafés especiais.

Fortalecimento do Cultivo em Sistema Sombreado

O objetivo é fortalecer e expandir o cultivo do café arábica em sistema sombreado, especialmente nas regiões do Litoral e do Vale do Itajaí. O modelo aposta no plantio consorciado com bananeiras, palmeiras e espécies arbóreas nativas, combinando técnicas agrícolas, adaptação ao clima local e potencial de mercado.

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o projeto surgiu a partir de demandas de associações de produtores, entidades da agricultura familiar e pequenas torrefações locais. O café foi identificado como uma alternativa para diversificação produtiva, geração de renda e agregação de valor nas propriedades rurais.

Sistema Consorciado e Benefícios Agronômicos

Embora existam poucas iniciativas comerciais em fase inicial no Estado, o café sombreado ainda está presente na agricultura familiar. Thiago Leal, gerente de projetos da Sape e especialista em cafeicultura, destaca que o sistema consorciado promove plantas mais vigorosas e duradouras, além de assegurar condições fitossanitárias favoráveis e boa produtividade.

Um diferencial importante para o consumidor é que, no cultivo sombreado, a maturação dos frutos ocorre de forma mais lenta, garantindo maior uniformidade dos grãos. Somando-se a isso a latitude, a influência marítima, o clima e as características do solo das regiões produtoras, o resultado é um café com perfil sensorial único, ideal para o crescente mercado de cafés especiais no Brasil.

Da Lavoura à Xícara: Impacto Econômico e Simbólico

Esse movimento traz impactos econômicos e simbólicos. Em um momento em que os consumidores valorizam origem, rastreabilidade e identidade, saborear um café cultivado em Santa Catarina ganha significado especial. Não é apenas uma bebida, mas o reflexo do território, clima, solo e do trabalho familiar transformados em aroma e sabor.

Para a agricultura familiar, o projeto representa uma oportunidade de aumentar a renda com um produto de alto valor agregado. Para os consumidores, abre-se a chance de conhecer cafés produzidos no Litoral ou no Vale do Itajaí, com características influenciadas pela maritimidade e pelo ambiente local, aproximando o campo e a cidade por meio da xícara.

Crédito para Transformar o Plano em Realidade

O financiamento será oferecido pelo Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR). Agricultores interessados devem procurar os escritórios da Epagri.

Podem acessar os recursos produtores com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo, desde que comprovem condições adequadas para o cultivo e produção do café.

Os valores variam conforme o projeto: até R$ 50 mil por família em propostas individuais e até R$ 120 mil em projetos coletivos, com no mínimo três famílias.

O pagamento pode ser feito em cinco parcelas anuais, sem juros, com carência de três anos. Produtores que quitarem as parcelas em dia terão desconto de 30%. A carência depende de laudo da Epagri que comprove a implantação e desenvolvimento da lavoura.

Tradição que se Reinventa

Se no final do século XIX o café entrou na bandeira como símbolo, agora ele retorna como uma estratégia produtiva estruturada, com crédito, assistência técnica e foco no mercado. O projeto une história, agricultura familiar e a demanda atual por qualidade e origem.

Para quem vive em Santa Catarina, essa iniciativa vai além de uma política agrícola: é a possibilidade de reconhecer, no sabor de uma xícara, aquilo que já estava representado na bandeira há mais de um século.

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