
“Jägerhaus” no Spitzkopf
Dois grandes ranchos de caça foram demolidos pela fiscalização ambiental federal no Parque Nacional da Serra do Itajaí no último fim de semana. As estruturas clandestinas foram localizadas nas áreas de Ribeirão do Bode, em Apiúna, e Spitzkopf, em Blumenau.
De acordo com um analista ambiental participante da operação, os ranchos estavam camuflados e não eram detectáveis por drones ou aeronaves. Construídos em regiões de difícil acesso, permitiam aos caçadores permanecer por vários dias na mata, causando danos ambientais significativos.
A caça ilegal e a degradação do habitat têm provocado o colapso populacional de espécies-chave, comprometendo a cadeia alimentar, reduzindo os serviços ecossistêmicos e afetando diretamente a resiliência do meio ambiente.
Segundo representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), “embora ocorram casos isolados de caça por retaliação, especialmente contra felinos, a principal motivação é a captura de animais para consumo de carne e obtenção de troféus, frequentemente com fins comerciais”. Ele também destacou o caráter organizado da atividade, que envolve grupos estruturados utilizando tecnologia de comunicação, georreferenciamento por GPS e monitoramento eletrônico dos animais.
A operação, batizada de “Jägerhaus” (termo alemão para “casa de caça”), não resultou em prisões em flagrante, mas materiais apreendidos podem levar à identificação dos responsáveis. Os ranchos, jiraus e alimentadores foram destruídos por meio de fogo controlado, procedimento autorizado pelo art. 112 do Decreto Federal nº 6.514/2008.
As autoridades reforçam que caçar, perseguir ou capturar animais silvestres configura crime ambiental. Em Unidades de Conservação, como parques, reservas e florestas nacionais, é proibido até mesmo ingressar com objetos que possam causar danos ambientais, sujeitando os infratores a penas de prisão e multa, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998.
O Parque Nacional da Serra do Itajaí é uma Unidade de Conservação Federal de Proteção Integral, com mais de 57 mil hectares, abrangendo oito municípios da região do Médio Vale do Itajaí. A gestão está sob responsabilidade do ICMBio, autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.












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