
Quem são os fraudadores? Serão punidos criminalmente?
É inacreditável que a reportagem do portal UOL, publicada em 25 de junho, tenha revelado uma situação grave em Santa Catarina. Conforme matéria do repórter Vesley Durães, baseada em dados do Tribunal de Contas, entre os 18.283 alunos matriculados com suspeitas de irregularidades no programa Universidade Gratuita, 12 possuem patrimônio familiar superior a R$ 10 milhões, e 858 têm bens avaliados acima de R$ 1 milhão.
O prejuízo ao Estado, decorrente de fraudes e falsidade ideológica dos beneficiários da bolsa de estudos, é estimado em cerca de R$ 324 milhões. Quem são esses filhos de milionários que tomaram centenas de vagas de estudantes carentes, que jamais conseguiriam ingressar no curso de medicina do sistema Acafe, por exemplo? Todos esses fraudadores deveriam ter seus nomes divulgados para que a população catarinense conheça esses indivíduos sem escrúpulos.
Como confiar em um advogado, médico ou engenheiro que falsificou sua inscrição no programa para estudar gratuitamente? Se alguém tem coragem para cometer tal falsidade ideológica, fingindo ser aluno carente, o que fará ao obter um diploma? O Ministério Público deveria processá-los por crimes previstos no Código Penal, para que não sejam punidos apenas com a apreensão de bens familiares para ressarcimento.
Conivência dos pais
O Tribunal de Contas identificou alunos cujos patrimônios incluem veículos de luxo como Land Rover (R$ 733 mil), Porsche 911 (R$ 603 mil) e lanchas avaliadas entre R$ 155 mil e R$ 200 mil. E quanto aos pais? Foram coniventes com as fraudes? Ao serem informados sobre a matrícula dos filhos no programa Universidade Gratuita, não suspeitaram de nada?
O reitor da Univille — cujo curso de medicina cobra mensalidade de R$ 9.600, segundo o “Aprova Total” — deveria esclarecer se há falsários entre os matriculados. Alexandre Cidral revelou em sua página no Facebook que a Univille possui dois mil estudantes beneficiados pelo programa.












Publicar comentário